No dia que virei mãe { Meu primeiro parto}

Me arrumei para o meu último dia de trabalho, estava de 36 semanas e tinha 4 semanas para ficar de pernas pro ar, dormir, todo mundo mandava eu dormir e achei justíssimo, iria dormir muito pra compensar as futuras noites em claro ( quem inventou essa teoria de dormir agora pra compensar no futuro tava doidona rsrs) o quartinho precisava de uns toques finais, e queria lavar t.o.d.a.s as roupinhas e passar e colocar alfazema e separar por cores e… entendeu né?loucuras da reta final, tinha que dar uma passadinha rápida no consultório que fazia o pré natal para eles confirmarem que eu não tinha tuberculose, terminei o teste fui no banheiro por precaução ainda pegaria um ônibus e o trem, meu xixi tava diferente, me deu uma sensação estranha, um aperto no coração e a imagem do senhor que cruzou comigo na rua e em tom de felicitação falando que hoje seria o dia, retruquei na hora, “que hoje o que? eu só estou de 36 semanas tenho tempo ainda”, uma outra senhora me deu um sorrisinho como se ela soubesse de algo que eu nem sonhava, na hora achei todos doidos e enxeridos, como pode? estava inchada mas não era pra tanto…

Fui até a recepção e perguntei que se por acaso, por ventura, se??… minha bolsa rompesse faria o que? No que a atendente respondeu, querida vc está ótima e se acontecer é só ir para o hospital, na rua de trás, e parir! Gatinha ela, minha bolsa tinha rompido, mas eu não queria acreditar, era pouco líquido vazando, fui pro ponto de ônibus e dei meia volta chorando, minha calça começou a ficar encharcada, liguei pra minha mãe, meu marido e minha chefe, aos prantos, meu bebê ia nascer e eu não sentia nenhuma dor, Deus ouviu minhas orações e em poucas horas teria meu bebe sem dor, em um parto estilo quiabo, natural e sem intervenções, ãhamm tá.

Cheguei no hospital meio aflita, a calma deles me irritava, se eu tivesse o bebe no meio do corredor seria culpa deles, preenchi a papelada e a médica me examinou, 2 cm. apenas, foi um balde de água fria, como assim? tinha que estar uns 8 e em 2 horas 10 e pronto. Fui para o quarto ligada a monitores e como não tinha contrações eles colocaram a ocitocina sintética no soro, as cólicas eram tão brandas e o progresso do parto igualmente lento, umas boas 4 horas se passaram e continuava os 2 cm., 10 horas se passaram, cólicas mais fortes e 2cm. Anoiteceu e sabe quantos centímetros eu dilatei? nada, as lágrimas escorriam, eu falava, que não queria cesária, as dores foram aumentando e eu na posição mais confortável e péssima para o parto, deitada, passamos a noite no hospital, e era tudo muito lento, tomei coragem e pedi uma anestesia, achava as dores fortes agora e nada mais justo, tinha a minha disposição a anestesia, a enfermeira me mostrou em um gráfico de dor, como se fosse de 1 a 10, a minha era 3, e eu precisava chegar no 7 para ganhar uma, mas ela colocou alguma coisa no soro, maravilha agora além da dor e o medo do que ia acontecer eu estava “grogue” e delirando, minha mãe com um olho arregalado, só lembro dela me consolado, – é minha filha, dói mesmo- 24 horas se passaram e se algo não acontecesse ao meio dia eu seria operada, depois de passar a noite com dor não seria justo.

As coisas foram melhorando ou piorando dependendo do ponto de vista, a dor aumentou, as contrações ganhando constância, a equipe foi entrando na sala o médico se preparando, e um anjo em forma de enfermeira começou a me direcionar, olhei nos olhos dela, uma negra alta e forte com uma roupa colorida e uma voz firme e doce.

Eu- você acha que eu vou conseguir, você acredita em mim?-

Anjo- Eu acredito sim, você está muito bem, ele vai nascer-

Minha mãe ficou do meu lado e ela de outro, o médico fez o corte da epsio, queria começar a fazer a força, eu sabia que ia da certo e tinha a sensação ao mesmo tempo que tudo aquilo era um sonho e que eu estaria na mesa de cirurgia para uma cesárea, a parte mais tensa foi no final, bem eu não sabia que era o final, eu queria fazer força a qualquer custo e terminar tudo, eu queria desistir, mas não dava ele já estava prestes a nascer, fiz uma força descomunal, totalmente errado, os vasos no meu rosto estouraram, eu não tinha feito nenhum curso e era adepta a me informar só o necessário e que o meu corpo faria o resto, vocês vão notar a diferença nos outros partos assim que eu postar as historias, são 4 ;).

Finalmente ele nasceu no dia 17 de maio as 11:00, o meu primogênito, notem, 1 hora antes da meta final, o cordão foi cortado, ele foi aspirado, segurei ele por alguns segundos, e ele se foi e todos seguiram, fiquei sozinha com o médico, suturando a epsio com a pouca anestesia local que restava, estava cansada e com fome, meus sentimentos estavam nublados, feliz por ter acabado o parto, feliz pelo meu filho saúdavel, mas eu não conhecia aquele serzinho, não foi um êxtase como outras mães falavam, o medo de não dar conta de ser mãe era grande, eu tinha 22 anos e tinha sonhado e curtido toda a gravidez, eu era finalmente mãe.

No hospital as enfermeiras deram tudo que precisava para ele ficar bem e eu poder descansar, sonhei em amamenta lo imediatamente, e não dar chupeta, mas na hora do cansaço concordei com tudo, continuei sendo monitorada e só fui ver o bebe de novo a noite, e ainda assim ele dormiu com as enfermeiras no berçário, no dia seguinte depois do banho e do café da manhã ele veio para o meu quarto, as visitas foram chegando, eu corri para amamenta lo, não era tão simples quanto eu pensava, uma amiga depois de anos veio me contar o impacto que foi na vida dela me ver tentando amamentar, eu era bem obstinada, poxa eu tinha parido, tinha conseguido meu parto normal mesmo a duras penas e horas afinco eu iria amamentar de qualquer jeito…

Como essa semana é a semana nacional da amamentação, vou contar um pouco de como foi a amamentação em outro post, queria mesmo compartilhar a história do parto do Zion, conto na maior empolgação sobre os meus partos, não achei o parto do Zion ruim ou desrespeitoso, com os outros filhos me informei melhor e não cometi vários erros, então foi melhor sim, tive muito mais controle da situação, cada parto é único, se você está grávida e veio ler meu relato e ficou ansiosa, respira fundo e escuta uma amiga.

*Se informe, leia, assista o filme “O renascimento do parto”, converse com mães que tiveram boas experiências no parto, uma doula  e/ou uma mulher mais experiente (e que seja sábia), peça que o seu marido se envolva e aprenda tudo sobre o parto, sobre as mudanças que você passa e sobre o bebê, isso faz uma grande diferença na hora do parto, não perca as esperanças o parto normal/natural é lindo*

Ainda que tenha sido um trabalho de parto demorado, toda vez que assisto o vídeo me emociono, acho realmente lindo e perfeito, participei dos partos de 2 amigas, e nos 2 me emocionei muito, é verdadeiro milagre o nascimento!

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2 comentários em “No dia que virei mãe { Meu primeiro parto}

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